Contra a Antiestética da Guerra

 

“…a guerra é bela,pois, em virtude das máscaras contra gases, do terrificante megafone, dos lança-chamas e dos carros de assalto, funda a soberania do homem sobre a máquina subjugada. A guerra é bela porque realiza, pela primeira vez, o sonho de um homem com o corpo metálico. A guerra é bela porque enriquece o prado florido com as orquídeas flamejantes que são as metralhadoras. A guerra é bela porque reúne, para compôr uma sinfonia, a fuzilaria, o fogo dos canhões, a pausa entre os tiros, os perfumes e os odores da decomposição. A guerra é bela porque cria novas arquiteturas, como a dos tanques, das esquadrlhas aéreas em formas geométricas, das espirais de fumo subindo das cidades incendiadas e muitas outras ainda [...].”

Publicado em La Stampa de Turim

Na minha opinião, esse texto é irônico. 

É um manifesto do escritor, poeta, editor, ideólogo, jornalista e ativista político italiano, iniciador do movimento futurista, Filipo Tommaso Marinetti sobre a guerra da Etiópia (apesar da imagem ser da Guerra do Vietnã, só por ilustração do tema). Ele era fascista e chegou a afirmar que a ideologia do partido representava uma extensão natural das idéias futuristas… isso sim que é amor pela guerra! O cara acreditava que a guerra era bela como a arte (loucura ou excesso de sensibilidade)! Tudo bem que nem toda arte é esteticamente bela… existem outros fatores que tornam a obra uma arte, que não somente a beleza. O momento histórico, a representação de algo revolucionário, por exemplo, já bastam para que a obra seja uma arte…

Mas a guerra! Seria irônico dizer que é esteticamente bela! Talvez pelo aspecto da habilidade técnica e do ritmo dos disparos e gritos agonizantes… mas antes de tudo isso, a guerra não é uma composição artística, e sim uma decomposição.

Clara Camargo

~ por Clara N. Camargo em Abril 24, 2008.

Uma resposta to “Contra a Antiestética da Guerra”

  1. Gostei do texto. Concordo com a idéia da decomposição artística. Aliás, ri pra porra com o seu primeiro post! A fala do blog em linguagem binária, como diria Samadeu, ficou genial. :}

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