O ESTRANHO EM SÃO PAULO
B I Z A R R O
Peguei alguns trechos do artigo de Luzia Estevão Pereira, que fala sobre os estranhos da cidade de São Paulo, que certamente tem muitos estranhos.
Eu sou estranha, você é estranho, todos somos. Mas o que levou Luzia Pereira a selecionar o tipo de estranho que ela trata em seu artigo? Ela fala que a maioria dos paulistanos acha que os estranhos são os nordestinos… I don’t think so… Para mim os estranhos não são os nordestinos, principalmente porque eu descendo de nordestinos!!
Essa é a opinião da classe média de São Paulo, concentrada principalmente nos arredores da Av. Paulista, nos bairros de Higienópolis e Vila Madalena, sem querer discriminar os moradores, mesmo porque eu tenho boa parte dos meus amigos morando nessas regiões. Enfim, para mim estranhos são… são… eu ainda não defini quem são os estranhos para mim… mas acho que para São Paulo, os estranhos são os que não acompanham o ritmo frenético da cidade. Sabe aqueles hippies que ficam vendendo artesanato nas avenidas da cidade? Eles sim são bem estranhos. Um dia estava eu, com alguns amigos indo para o Itaú Cultural na Paulista e veio um cara e tacou uma peteca em mim! Eu virei e pensei ” Ma quequé isso?” e o cara falou, alegre ”Vamos jogar!”. E comecei uma partida de peteca em plena avenida paulista, com um cara que eu não fazia idéia de quem fosse, só sabia que ele era hippie. Outro dia, quando estava com uns amigos no bar (também na Paulista), uma hippie veio vender artesanato. Falei que não estava interessada, mas ela insistiu “Não, só estou pedindo para vc olhar”, ok, eu olhei. Realmente os brincos, pulseiras, colares e penas da mulher eram muito bonitos, bem coloridos e com um ar de woodstock. Falei para ela que a arte era muito bonita e tal, e ela falou com a voz mole ”Foi Jah que fez” e eu “Ahn, foi Jah que fez?Que bacana” … pra mim Jah significa marijuana! Nada como uma boa marijuana para inspirar os artesãos! Os hipongas são realmente muito estranhos. Nunca sei o que esperar deles. Mas são pessoas do bem, afinal são paz e amor! Se pudesse sair fora desse sistema capitalista do qual dependo inteiramente, seria hippie. Deve ser perfeito.
E na virada cultural então! Eu avistei um cara lindo e comentei com a minha amiga, só que o cara percebeu. Para variar, ele era hippie. Ele começou a seguir a gente e não parava de olhar pra minha cara… fiquei com vergonha e comecei a rir… de repente ele parou e falou ” Vocês gostam de Sarau?” eu disse que gostava, então ele me entregou um papelzinho e me convidou para ir na casa dele, explicou como fazia para chegar e falou que era um lugar “da natureza”. Achei o máximo! Fiquei morrendo de vontade de ir… mas quem disse que eu sou louca o suficiente? Tudo bem que ele era lindo, hippie e natural, mas vai saber se ele tomava banho! Rs…
O ESTRANHOEM SÃO PAULO,
SEUS ESTIGMAS, SUA LINGUAGEM
Luzia Estevão Pereira
Os estranhos vivem nas periferias, ou não possuem moradia, mas insistem em circular pela Av. Paulista, pelos shoppingsda cidade e quando trabalham, o fazem longe de casa. Poderíamos dizer que quanto mais uma pessoa mora perto dos grandes centros de cultura e trabalho da cidade mais reconhecida ela é, mais possibilidades de se tornar amiga ou inimiga e deixar de ser uma estranha.
Essa regra pode variar para alguns bairros, mas geralmente é assim que os jovens das escolas públicas da periferia sentem, sua identidade é produzida a partir da distância de certos locais: moro aqui, sou trabalhadora, quem mora lá é playboy, não trabalha, e quem mora ao meu lado e não trabalha é malandro, ou vagabundo, ou o estranho. O cruzamento do local de moradia, da condição de trabalhador ou de estudante, pode definir, para o paulista em geral, parte considerável da identidade socialde alguém. Os significados para esses atributos já estão dados e compartilhados na sociedade.
QUEM É O ESTRANHO PARA VOCÊ???


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